Os jovens brasileiros querem empreender?

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O Brasil é um país de contradições. Um relatório recente da Ernst & Young sobre empreendedorismo no grupo de países que compõem o G20 descobriu que, embora o país tenha tido um forte crescimento econômico nas últimas décadas, bem como um aumento global de investimentos destinados ao setor industrial, o número de jovens empreendedores ainda é pequeno.

Outros dados da pesquisa

Os outros pilares de crescimento onde o Brasil obteve uma boa pontuação incluem o fácil acesso ao financiamento, o crescente acesso ao estudo universitário e uma cultura do empreendedorismo em ascensão. O relatório constatou que, embora essas estatísticas sejam indicadores de sucesso, ainda há muito espaço para melhorias. Por exemplo, enquanto o tempo gasto para iniciar uma empresa tenha diminuído ao longo da última década, ainda se leva uma média de 119 dias para fazê-lo – seis vezes mais do que a média do G20.

Além disso, o tempo médio gasto em questões fiscais gira em torno de 2.600 horas. Número sete vezes maior do que a média do G20, estimado em 347 horas. Esse peso da regulamentação pode ajudar a explicar a alta taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas: 49% falham em seu primeiro ano.

Crescimento do empreendedorismo no país

Outro relatório recente, o do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Brasil, apontou o nível de atividade empreendedora em estágio inicial (TEA – 17,2%) do país em 10ª posição no ranking mundial. Número maior do que o da Alemanha (5,3%) e dos EUA (13,8%), países impulsionados pela inovação, e também superior a China (15,5%) e Índia (6,6%). Entre os países comparados, só o México possui um TEA superior ao do Brasil.

Essa variação pode ser parcialmente explicada pelo contexto cultural: nos Estados Unidos, a cultura brasileira estimula o espírito empresarial. Já na Índia, esse perfil é menos encorajado. No Brasil, os jovens querem empreender: 76% dos universitários afirmam ter vontade de começar um negócio próprio, mas apenas 19% desses estudantes realmente iniciam uma empresa.

Desafios para o futuro

O principal obstáculo para o crescimento do empreendedorismo esbarra na falta de estrutura nas universidades para que esses projetos saiam do papel. De fato, o relatório do GEM aponta a necessidade de investimento em educação de qualidade visando o estímulo da cultura empreendedora. Além disso, devem ser desenvolvidos mecanismos que promovam a transferência de tecnologia dos centros universitários para o mercado empreendedor.

Em geral, o apoio financeiro não satisfaz plenamente as necessidades dos empreendedores, limitando o potencial criativo e, especialmente, o desenvolvimento de novos negócios. No entanto, iniciativas governamentais de apoio ao empreendedorismo têm surgido, com efeitos positivos que resultaram no aumento da atividade empresarial no país. Entre essas iniciativas, podemos citar a criação doo Simples Nacional e do MEI.

O desenvolvimento do capital de risco e formas alternativas de financiamento são apontadas como outras soluções possíveis para o problema. Além disso, o crédito deve ser acessível aos projetos mais simples – o que corresponde a maior parte das empresas no país – e não destinado apenas a empresas com foco em tecnologia e inovação.

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